Espaço-Laço

Luciano Figueiredo

De 02 Set a 07 Out 2011

"O que motivou a retomada da série Espaço-Laço foi o fato de não tê-la desenvolvido mais extensivamente desde que comecei, em 2005, as primeiras maquetes. São construções planares e cromáticas aparentemente simples, mas de cálculo complexo e de fabricação extremamente elaborada, onde necessito utilizar os materiais exatos para obter os resultados que imagino. Felizmente, foi-me possível dedicar seis meses intensos para levá-las à cabo para essa exposição, já que utilizo como sempre soluções técnicas e fabricação toda minha", declara Luciano.

Em Espaço-Laço, o artista cria um sistema de acoplar planos partindo da figura do quadrado, através de uma estrutura com camadas de lonas de algodão puro, coladas umas sobre as outras e separando-as em três partes quase iguais: "numa dessas partes realizo cortes sempre na zona central onde deixo apenas fios que atravessam, torcem e amarram o quadrado final para onde tudo dobra e converge. Ou seja, necessito construir uma longa estrutura para que, ao dobrá-la sobre si mesma, obtenha uma espécie de redução espacial extremamente orgânica", explica Luciano. 

São cerca de 28 trabalhos inéditos divididos em duas séries realizadas em 2010 e 2011: uma com trabalhos em formatos maiores, que consistem de superposições de planos e chapas pesadas de madeira, e outra com obras em formatos menores, onde a técnica utilizada é tinta acrílica sobre densas camadas de telas de lona ou papel Arches e madeira. A exposição ainda conta com estudos em miniatura, recurso que o artista utiliza para prever o resultado final de cada obra e que explicam, didaticamente, o processo de contrução planar e cromática.

 

Sobre o artista

Artista filiado ao construtivismo e sua tradição gráfica, Luciano Figueiredo inicia sua trajetória na pintura na década de 1960. À época, recém-chegado a Salvador (Bahia), frequenta o curso livre de pintura do Instituto Cultural Brasil-Alemanha, tendo como professor o pintor e músico alemão Adam Firnekaes. Conhece, então, o trabalho de artistas como Paul Klee e Kandinsky, movimentos históricos como o Cubismo e a escola Bauhaus. Em 1969, muda-se para o Rio de Janeiro, onde passa a conviver com músicos, cineastas e poetas. Trabalha na criação de cenários para musicais e peças de teatro, além de projetos gráficos para discos, livros e revistas, entre elas, a histórica Navilouca. É assim que se firma como um dos expoentes da chamada Contracultura.

Entre 1972 e 1978, reside em Londres, onde estuda História da Arte e Literatura Inglesa. Nesse período, inicia sua pesquisa com páginas impressas de jornal, realizando experimentações com poemas visuais feitos com recortes de palavras, manchas de cor e tablóides ingleses. Tais estudos o levam a criar, a partir de 1975, objetos com colagens e relevos monocromáticos, que apresenta em exposições a partir de 1984. Em trabalhos posteriores, apresenta relevos em telas sobre madeira ou emprega folhas de jornal e quadrados de voile, colados uns aos outros, de forma intercalada, sobre os quais realiza cortes e dobras, criando ritmos visuais.

Nos anos 2000 e 2010, cria a série Relevos, a partir da experiência tátil de folhear, dobrar e fechar as páginas de jornal – e ver surgirem, assim, volumes planares. São dessa década também as pinturas planares, Dioramas e Muxarabiês, com camadas de jornal superpostas e cobertas de cores transparentes ou saturadas. Entre suas principais individuais, estão “Do Jornal à Pintura”, realizada no Musée Museum Départemental de Gap (França) em 2005 e em 2006, no Paço Imperial, e, em 2013, “Fabri Fabulosi” e “Imagem/ Legenda: um cine romance”, no Oi Futuro Ipanema, ambas no Rio de Janeiro.

Luciano Figueiredo foi curador de diversas mostras de Hélio Oiticica e Lygia Clark no Brasil e no exterior. Também atuou na Funarte e na coordenação do projeto Hélio Oiticica. Entre 2003 e 2007, dirigiu o Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio.