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Sem Fim
Elizabeth Jobim
19 set -01 nov 08
Horários de exposição 14-19hs |
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Elizabeth Jobim e Tony Bechara | Lehman College Art Gallery
A exposição de dois artistas na sala de mostras duplas da Galeria de Arte do Lehman College introduz o espectador a um dueto de individualidades que se conectam sem se unirem um ao outro. Intitulada Grand Canyon, a exposição de Tony Bechara se apresenta ao longo da parede esquerda da sala. A vibrante interação de brancos, cinzas e pretos gera um trabalho evocativo e de ressonâncias, já que não é desejo do autor representar cenas. É um tríptico de grandes dimensões na sua característica multiplicidade dinâmica de toques e tons. Nele Bechara cria uma área de abstinência, de conversas quietas, profundas e tranquilas cuja ressonância é incessante e que se opõe às variadas cores da obra na parede oposta. A geometria e a cor fazem parte dos trabalhos de Bechara, como a pele de um corpo estético conceitual.
Tony Bechara usa o reticulado de forma mais ousada, expressa riqueza através de contrastes, do efeito surpreendente da organicidade da matéria. Organicidade que também é atributo da instalação composta por três telas menores situadas na parede oposta, intituladas Geometry and Color. Estes três quadros – no formato de retângulo, triângulo e círculo, respectivamente – complementam as três telas quadradas da parede em frente. O formalismo e a geometria sãos os elementos do desenvolvimento pictórico deste artista. Cores primárias e secundárias em vibrantes justaposições aumentam a sensação cinética no espectador frente à obra de Bechara. Mas é importante ressalvar que ele utiliza uma abordagem conceitual e analítica do uso da cor. O que também é evidente em outras mostras, como no caso da mínima visibilia, Tony Bechara Grey Paintings, exibida durante o mesmo período no Museu de Arte de Porto Rico. O Departamento de Assuntos Culturais da Cidade de Nova York e a Fundação JP Morgan apoiaram esta exposição.
Bechara faz conexões entre uma série de autores que criaram obras de luz e cor. Ele não se deixa limitar pelo conhecido movimento da arte cinética latino-americana, nem pelas linhas mestras da artista britânica Bridget Riley, nem mesmo pelo próprio reticulado e suas alterações como padrão de composição. No que tange à composição, devemos lembrar as referências sutis que ambos os artistas fazem às superfícies rochosas. Bechara o faz ao evocar o Grand Canyon – o que de todo modo não descarta a possibilidade de se fazer uma leitura urbana. Já Elizabeth Jobim se refere ao componente mineral através de um mostruário que exemplifica aspectos de seu processo artístico. Disposto a um lado, de forma a separá-lo da instalação pictórica criada exclusivamente para a sala, o mostruário apresenta ao espectador mock-ups (modelos de teste)/mini-quadros de sua autoria, assim como desenhos, esboços e pedras. Uma reunião de elementos estimulantes e didáticos, aspectos indispensáveis em um espaço dedicado ao ensino: coisa que Susan Hoeltzel, diretora da galeria, sempre leva em consideração na sua curadoria em parceria com Claudia Calirman.
Apresentados os dois artistas, devemos lembrar que a disposição do espaço nos força a contemplar a obra de ambos os artistas simultaneamente. O túnel cinza, dinâmico e quadriculado, pleno de reverberações, cede a vez para a irradiação de luz que nasce dos quadros de Elizabeth Jobim. A artista celebra grandes gestos pictóricos em tons de azul. Seu vasto abraço abstrato pode ser interpretado como algo urbano que, de todos os modos, não é figurativo nem descritivo. Em seu trabalho intitulado Endless Lines, Jobim aproxima o espectador de sua experiência das linhas, algo que logra através do movimento que não procura interpretar ou representar. Seus quadros acentuam os movimentos que executa no comprimento e na largura. A matéria flui em azul sobre branco. A participação do espaço circundante faz dos quadros uma instalação. Esta artista brasileira que mora no Rio de Janeiro estudou o espaço da sala para criar uma instalação exclusiva para a mostra. As telas se tocam lado a lado, e assim criam um ritmo sensual que permeia o uso das cores frias. O que nos afeta como um virar do avesso, de dentro para fora e vice-versa. Os planos e as retas – dotadas de significado mas não-representativas – indicam movimento. Em um contexto de tintas planas e formas fracionadas incomuns, telas de grandes dimensões interagem umas com as outras em um discurso que se utiliza de sua proximidade. Como joias de grande maestria, pedras facetadas e imemoriais. Através de Jobim, trafegamos em espaços envolventes, mas que também nos escapam.
Magnética, a luz intensa de Endless Lines chama o espectador para dentro da galeria. A instalação ocupa a área mais fortemente iluminada. As duas cores empregadas por Jobim criam um contraste formal que se compara ao delinear de uma planta arquitetônica. Ambas as mostras estão embebidas de ritualidade contemporânea. Ambas criam uma transição, como um caminho que leva a um altar despossuído que, sem ser religioso, é visual e habitado pelas pedras das cidades imemoriais. Jobim e Bechara dominam o gesto controlado e vibrante como se estes participassem de uma dança especial e desta emanasse luz que afirma a própria vida.
Matéria originalmente publicada na revista ArtNexus nº8 (Julho de 2009)
Autora: Graciela Kartofel / tradução: Lis H. Moriconi / revisão: Tina Montenegro
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Outras exposições |
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.Sem título..- Elizabeth Jobim, 2008
óleo sobre tela 40 x 170 cm |
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Imagens da exposição
(clique para ampliar) |
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