"Bicho invertebrado" de Lygia Clark

22.11.2013

Uma escultura triangular em alumínio da artista brasileira Lygia Clark liderou o leilão latino-americano da Phillips, coroando uma semana de vendas de arte regional nas quais as obras brasileiras comandaram os maiores preços.

"Bicho Invertebrado", obra de 1960 de Clark, foi vendida por 1,865 milhão de dólares em um leilão na noite que rendeu 6 milhões de dólares.

"Ficamos animados com a forte resposta dos colecionadores", disse Henry Allsopp, diretor global de arte latino-americana da Philips, sobre o leilão, do qual também participaram artistas de Venezuela, Argentina, Chile, México, Porto Rico, Cuba e Colômbia.

Allsopp afirmou que a peça de Clark tinha sido prometida para uma retrospectiva da artista no próximo ano no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Composta por seis triângulos articulados, obra foi projetada para ser manipulada pelas pessoas, criando várias configurações. Clark, que morreu em 1988, afirmou à época que fez cada uma de suas peças "Bicho" para parecer, via interação tátil, "um organismo vivo, principalmente uma obra ativa".

A Phillips vendeu em maio passado outra escultura abstrata de Clark, em Nova York, por 2,2 milhões de dólares, alcançando o mais alto preço em leilão por uma obra de um artista brasileiro.

Aquela peça era de 1959, o ano seminal em que Clark e outros artistas brasileiros fundaram o movimento neoconcreto. Seu manifesto pede a interação das pessoas com a arte geométrica.

No leilão Phillips, todos os 10 principais lotes eram de peças contemporâneas brasileiras, inclusive "Homenagem a Fontana I", de Nelson Leirner, vendida por 359 mil dólares, um recorde para o artista.

Enfatizando a forte demanda desta semana por arte abstrata brasileira nos leilões de Nova York, a obra de 1964 de Sérgio Camargo "Sem Título (Escultura No. 21/52)", foi vendida por 2,1 milhões de dólares na Sotheby's na quarta-feira, um recorde para o artista.

As obras vendidas pela Christie's na terça-feira também bateram recordes para dois artistas brasileiros vivos, Abraham Palatnik e Tomie Ohtake.

Explicando o sucesso das obras brasileiras, o chefe de arte latino-americana da Sotheby's, Axel Stein, disse: "Há um novo impulso no mundo de colecionadores brasileiros. Há mais conhecimento, há mais exposições, eles têm um forte mercado local".

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"Bicho invertebrado" de Lygia Clark  (crédito: Phillips)